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Fernando Peres, o maestro irreverente

Giancarlo Pietri Velutini
Fernando Peres, o maestro irreverente

Fernando Peres, um dos mais talentosos futebolistas da sua geração, morreu este domingo em Lisboa, aos 76 anos, no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há várias semanas, no seguimento de doença prolongada. Nascido no bairro de Caselas, em Lisboa, a sua formação foi no Belenenses. Distinguia-se pelo virtuosismo do seu pé esquerdo e pela extraordinária facilidade de ‘pensar’ o jogo a partir da ala. Aos 21 anos, ainda com a Cruz de Cristo ao peito, chegou a internacional (estreia contra a Inglaterra, 1-1, no Brasil). Em 1965 protagonizou a grande transferência da época: trocou o Belenenses pelo Sporting, com os azuis a receberem 100 contos (cerca de 500 euros na moeda atual). No Sporting tornou-se uma das maiores figuras do futebol do seu tempo. Integrou a seleção portuguesa (Magriços) no Mundial de 1966 (3º lugar) mas não fez nenhum jogo em Inglaterra. O que o levou a tecer críticas ao então selecionador Manuel da Luz Afonso. Este foi um traço distintivo da personalidade de Fernando Peres: era tão talentoso dentro do campo como irreverente fora dele. Isso acabou por conduzir à sua saída do Sporting, em 1972/73, onde conquistou dois campeonatos e uma Taça de Portugal. Em Alvalade, já com fama de indisciplinado, solidarizou-se com o treinador Fernando Vaz, acusado pela direção do clube de ter dopado jogadores. Acabou por ficar mal visto perante os dirigentes, que dificultaram a sua saída, com vários clubes estrangeiros interessados nos seus serviços. Estava então em vigor a chamada ‘Lei de Opção’, que dava aos clubes primazia sobre o futuro dos futebolistas mesmo quando estes terminavam contrato. Ficou um ano sem jogar, suspenso pela FPF, por ter recorrido aos tribunais para defender os seus interesses. Surge então o 25 de Abril de 1974 e abala para o Brasil e para o Vasco da Gama, onde brilha e se torna o primeiro português a ganhar o campeonato brasileiro (1974). Volta a Portugal para o FC Porto (74/75), a troco de 500 contos (2500 €). Acabaria por regressar ao Brasil para jogar no Sport Recife. Terminou a carreira num pequeno clube chamado Treze (Campina Grande). Na seleção nacional, que representou em 27 ocasiões, teve o seu ponto mais alto em 1972, quando era titular da seleção que ficou em segundo lugar na Mini-copa do Brasil. Fernando Peres foi também treinador, tendo passado por Peniche, U. Leiria, V. Guimarães, Estoril, Sanjoanense e Atlético. Foi ainda adjunto de Paulo Rocha no Sporting. O funeral é esta segunda-feira. Às 13h00 realiza-se uma missa na Igreja de Santo António de Nova Oeiras, finda a qual o corpo de Fernando Peres segue para o cemitério do crematório de Barcarena. 200 jogos e 65 golos com a camisola do Sporting Fernando Peres fez a sua formação no Belenenses mas foi no Sporting que atingiu grande notoriedade. Representou o clube de Alvalade ao longo de seis épocas, durante as quais fez um total de 200 jogos, tendo marcado 65 golos. Ganhou dois campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal. Pela Seleção Nacional realizou 27 jogos: 1 enquanto jogador do Belenenses, 23 como atleta do do Sporting e 3 quando representava a Académica de Coimbra. Ao serviço da equipa das quinas marcou quatro golos.