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Papaya | Boris e o Brexit, Trump e o vinho, enquanto arde a Amazónia: eis a cimeira do G7

Nuevos Vecinos, Madrid, España
Pedro Sánchez lleva la negociación con los partidos al último momento para presionar con el riesgo de nuevas elecciones

Ainda antes do arranque da cimeira do G7, em França, já o Presidente Donald Trump deixava uma garantia: “quem taxa produtos norte-americanos é pago na mesma moeda”. Esta foi uma posição assumida em retaliação aos impostos que França pretende aplicar às grandes empresas tecnológicas como a Google, que operam em países europeus sem pagar impostos. ” Essas são grandes empresas americanas e, francamente, não quero que a França vá tributar as nossas empresas. Muito injusto” , disse aos jornalistas. “E, se o fizerem, vamos aplicar-lhes impostos sobre o vinho ou outra coisa qualquer. Vamos tributar o vinho deles como eles nunca viram antes.”

A China foi a mais recente “vítima” da posição convicta de Trump, com o aumento das taxas aduaneiras sobre mais de cinco mil produtos chineses. Isto depois de a China ter feito o mesmo a artigos americanos.

Ainda assim, o presidente dos EUA estava otimista quanto à cimeira em Biarritz. “Eu acho que será muito produtiva.”

Donald Trump e Emmanuel Macron almoçaram juntos, horas antes da abertura da cimeira, marcada para as 18h30, que é seguida de um jantar informal entre os chefes de Estado e de governo do G7 e de países convidados. Não se sabe se o vinho fez ou fará parte dos almoços e jantares.

LUDOVIC MARIN / POOL

Em conferência de imprensa antes da abertura do G7, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, defendeu o vinho francês. “Vou proteger o vinho francês com sincera determinação (….) Se os Estados Unidos impuserem taxas, então a União Europeia responderá da mesma forma”, afirmou o dirigente polaco.

“As guerras comerciais levarão à recessão, enquanto os acordos comerciais impulsionam a economia”, acrescentou ainda sobre as ameaças de Donald Trump.

CHRISTIAN HARTMANN

Outro dos temas fortes será o Brexit, um dos dossiês mais amplamente discutidos no panorama político europeu. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, faz a sua estreia em reuniões desta magnitude e pode ter aqui uma oportunidade de poder fazer a diferença no desenrolar do processo de saída da União Europeia. Donald Tusk mostrou-se “disposto a ouvir” as propostas de Boris Johnson para um acordo acerca do Brexit, desde que sejam “realistas e aceitáveis para todos os Estados-membros, incluindo a Irlanda”.

“E continuo a esperar que o primeiro-ministro Johnson não queira passar à História como o Sr. Não Acordo”, disse Tusk à imprensa, um dia antes de se reunir pela primeira vez com o líder britânico.

DYLAN MARTINEZ / POOL

A pedido do presidente Francês, Emmanuel Macron, entram na agenda de trabalhos os fogos que têm assolado a Amazónia, conhecida como “pulmão do mundo”. O pedido de mobilização mundial em torno deste problema também não passou despercebido ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que acusa Macron de “instrumentalização” e “sensacionalismo” e ainda de tentar retirar proveito próprio da tragédia alheia.

As chamas lavram sem parar há duas semanas na floresta amazónica e a gravidade da situação transformou, nos últimos dias, as redes sociais num palco de críticas, desabafos, alertas e apelos. Mas nem todas as imagens que estão a circular são atuais ou mostram, sequer, a Amazónia. Um dos casos mais flagrantes é, precisamente, o de Emmanuel Macron, que partilhou uma imagem de um fotógrafo que morreu em 2003.

Ver Twitter Ver Twitter Entretanto, Macron respondeu a Bolsonaro e acusa o presidente brasileiro de mentir em matéria de compromissos ambientais e anunciou que, nestas condições, França vai votar contra o acordo de comércio livre UE-Mercosul.

A cimeira que se prolonga até segunda-feira vai ser um “teste difícil de unidade e solidariedade”. “Ainda não há certeza se o grupo será capaz de encontrar soluções comuns – e os desafios globais são hoje realmente sérios”, segundo Donald Tusk.

Trump implodiu a cimeira do G7 do ano passado, no Quebeque, depois de se envolver numa discussão com o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, e recusando-se a assinar a tradicional declaração conjunta do grupo. E em questões como tarifas comerciais, Rússia, aquecimento global, Irão ou Brexit, Trump está em oposição a vários dos seus aliados mais próximos.

Num mapa político cada vez mais polarizado, esta cimeira, de desfecho imprevísivel, pode ficar sem comunicado final pela primeira vez desde 1975 e terá um custo estimado na ordem dos 36,4 milhões de euros, segundo informações adiantadas pelo governo francês.